Série Mindhunter

Roseane Mendes

Quem me segue aqui no blogue sabe que eu amo séries policiais investigativas, a minha favorita é Criminal Minds. Amo acompanhar como é feito as análises periciais e no caso de Criminal Minds a análise comportamental das vítimas e dos assassinos. A Netflix produziu uma série que conta como nasceu a polícia científica especializada em análise comportamental, Mindhunter. A série está na segunda temporada e tem um número de fãs considerável. Mindhunter inicia no ano de 1977 quando o departamento de análise comportamental e psicologia criminalística do FBI começa a nascer. Essa série é baseada em fatos, as personagens Holden Ford e Bill Tench são inspiradas nos policiais Jonh E. Douglas e Robert Ressler. Foi Ressler quem introduziu o termo serial killer nos aos 70, essa nomenclatura surgiu a partir de seus estudos sobre assassinatos múltiplos cometidos pelo um mesmo individuo. Mindhunter mescla assassinatos reais com fictícios e aparecem os assassinos em série mais conhecidos dos EUA. Os depoimentos mostrados desses assassinos na série são reais, partiram de gravações verídicas. 

Holden Ford e Bill Tench tentam estudar e explicar o raciocínio dos assassinos em séries por meio de entrevistas que buscam por suas motivações e histórias de vida. Eles fazem uma análise daquilo que parece incompreensível. Por vezes, são mal interpretados porque alguns chegam a pensar que eles buscam por uma certa "absolvição" dos crimes. Porém, ao longo da série eles vão conquistando a credibilidade negada e seus estudos se tornam referências. 

A forma como o enredo é desenvolvido nos prende nas mais pequenas cenas. Sabemos que os assassinos psicopatas são por si só personagens complexos que despertam a nossa curiosidade, mas as tramas paralelas também são muito interessantes. Acompanhar a vida pessoal dos policiais também tem as suas complexidades e desperta em nós a curiosidade por um desfecho e é a mesma curiosidade que temos em ver mais um caso real. 

A série tem sua dose de clichês, mas eu diria que são clichês necessários para fazer com que nos simpatizemos com as personagens. Por exemplo, o Holden é aquele policial idealista que confronta o sistema e que está presente em quase toda série policial. Porém, essa construção é necessária para que confiemos nele enquanto todo o resto da trama desconfia. Ele tem dificuldade em aceitar a burocracia do FBI e algumas vezes a sua forma transgressora pode colocar em dúvida sua competência, é por isso que precisamos dessa construção do mocinho. Holden é especialista em ciência comportamental e quer trazer para dentro do FBI esse conhecimento, para isso se dedica a estudar assassinos que cometeram homicídios múltiplos em um período em que assassinatos em série não era um conceito vigente.


Holden contará com a ajuda do agente Tench, uma figura muito mais cética porém experiente. O ceticismo e a experiencia de Tench são necessários para desafiar o agente Ford e garantir a credibilidade que precisa. Cientes de que precisam de mais embasamento científico em suas pesquisas, eles convidam a psicóloga comportamental Wendy Carr como consultora do FBI. Ela é uma das personagens femininas importantes para o desenvolvimento da trama. Imersa em um ambiente masculino e hétero normativo, Wendy tem muitos desafios a serem superados. A violência está presente na série, no entanto muito mais na forma narrativa e menos em imagens.

Entre os assassinos reais que aparecem na série estão Charles Manson, Denis Rader, Elmer Wayne Hanley, Son of Sam, Edmund Kemper, Paul Batson, Willian Joseph Pierce, Tex Watson, Willian Henry Hance, Wayne Willians, 

Mindhunter é uma série inteligente e atrativa. Não é fácil de maratonar devido a complexidade dos fatos. A cada episódio está presente algum tipo de desconforto, mas nada que nos desencoraje a continuar. 

Fique bem! Cuide-se! Até breve!

Comentários