Filme 365 dias

Roseane Mendes

365 dias não tem nada a ver com 50 tons de cinza! Começo o meu post assim porque apesar de ambos filmes serem eróticos, o enredo, o desenvolvimento e a qualidade técnica são muito diferentes. No caso de 365 dias eu só assisti ao filme, enquanto em 50 tons eu li os livros e vi aos filmes. Então, quando digo que são diferentes falo exclusivamente dos filmes. 365 dias é muito mais explícito que 50 tons de cinza


A sinopse de 365 dias é a seguinte: Laura Biel está de férias na Sicília com o namorado e amigos. No segundo dia de férias que é também o seu aniversário de 29 anos, seu namorado lixo resolve deixá-la sozinha na noite de comemoração. Enquanto isso um mafioso siciliano vê a oportunidade de sequestrar a mulher que o deixou obcecado a 5 anos quando a viu uma vez na praia. E é isso que ele faz. Massimo sequestra Laura e diz a ela que terá 365 dias para se apaixonar por ele. Preciso dizer que essa história foi escrita por uma mulher, e na direção do filme há uma mulher.

Antes de fazer a minha crítica vou me apresentar como telespectadora para vocês compreenderem quem está falando.Se você me acompanha por aqui sabe que sou amante de comédia romântica e novela mexicana, portanto clichês românticos não me incomodam e até faço vista grossa para algumas manifestações machistas. Não que eu concorde com elas; mas quando é possível fazer um pacto ficcional, eu o faço. Eu separo muito bem aqueles filmes que são mais profundos e que levam a algum tipo de reflexão ou que assume algum compromisso social ou artístico, daqueles filmes que são meramente diversão cujo o único compromisso é o entretenimento Aqui vocês encontram resenhas de filmes ovacionados pela crítica e filmes que são queridos apenas por seu público específico. Dito isso vamos ao que achei de 365 dias.

Infelizmente, não dá para defender esse filme. A premissa é problemática e não há maneira de fazer um pacto ficcional com um sequestro e nem colocar lentes cor de rosa na objetificação das mulheres nesse filme. Quando eu saio em defesa de 50 tons ao compará-lo com essa "obra" é porque tem uma diferença fundamental entre eles: o consentimento da protagonista na abordagem de seus futuros parceiros. Não dá para achar romântico um sequestro de um total estranho, nem mesmo por uma telespectadora de novela mexicana e amante de clichês românticos como eu. Mas, o maior problema nem é esse. As atuações são péssimas. Sério que uma mulher acorda numa casa desconhecida e sai explorando o lugar como alguém que visita um museu  diferentão. Porque o susto que a Laura expressa é esse. Fiquei mais assustada andando sozinha no museu de cera no México, o qual paguei para entrar, do que ela despertando em um lugar totalmente desconhecido. 

E o enredo... Jesus, que enredo ruim!!!!!! O sujeito diz a Laura que não fará nada que ela não permita, porém ele mete a mão nela a hora que bem entende. E você pode interpretar esse "meter a mão" literalmente. Como assim???? Isso também configura estupro. O macho alfa, sedutor e gostosão objetifica as mulheres todo tempo. Em uma cena podre, podre pelo contexto e pelo desenvolvimento, ele faz a aeromoça do seu jatinho particular fazer sexo oral nele. Afinal, o avião e tudo que está nele foi comprado por ele não é mesmo?

A Laura parece não se indignar nenhum momento com a situação, nem mesmo quando diz estar. Uma sequestrada que não grita e que no segundo dia faz joguinhos de sedução com o sequestrador é inverossímil demais. Está bem... serei justa. Ela faz uma pirracinha enquanto é levada do carro até o avião e para por aí. A mulher no dia seguinte ao seu sequestro, dorme tranquilamente numa espreguiçadeira no jardim. Sério? Ainda que o Henry Cavil me sequestrasse não ficaria tão a vontade assim, porque no mínimo eu pensaria que ele é um doente mental. As pirracinhas feitas pela personagem faz o sequestro parecer um delito semelhante ao boy se atrasar para o jantar. Os diálogos são um sofrimento a parte. É uma pobreza de diálogos que me questiono se no livro a escrita é pobre assim também. Não sei. Não li e não lerei. E a construção das cenas? Como são bregas!!!!! Mesmo diante de um cenário lindo, não foram capazes de explorar decentemente. São luzes de gosto duvidoso e os personagens são postos em externas que não são exploradas. 

Acho muito injusto a comparação com 50 tons porque apesar dessa última não ser nenhuma obra prima, está longe de ser tão mal desenvolvida como a primeira. Mesmo achando que faltou química entre a Dakota Johnson (Anastasia) e Jamie Dornan (Christian Grey) a atuação deles não é ruim. Acho até que a Dakota se conecta bem com a personagem. Mas, o mesmo não pode ser dito de Anna-Maria Sieklucka (Laura) e Michele Morrone (Massimo). Há quem diga que juntos, eles têm muita química, porém acho que quem pensa isso gostou das cenas de sexo. Porque em 365 dias as cenas de sexo são quase explícitas; são muito mais "quentes" que em 50 tons, o qual muita coisa fica subentendida e não é mostrada. Porém, fora das cenas de sexo eles são horríveis. Não há nenhuma cumplicidade entre eles, seria melhor que 365 dias assumisse logo o gênero pornô.

Não consegui nem gostar do figurino. A Laura vai para um casamento tradicional, da família dela, vestida como a Bebel (personagem da Camila Pitanga que é garota de programa) no calçadão. Que construção de personagem foi essa? E a peruca loira ressecada? Eu poderia escrever três vezes mais, só apontando os problemas do filme. E observem, que eu não entrei no mérito de ser ou não certo a Netflix tê-lo no catálogo. 

365 dias é para mim um desastre e não é só pela temática, como puderam perceber. Daria para apontar coisas inaceitáveis em todas as cenas. Não há pacto ficcional que segure essa bomba.

E vocês? Já viram? O que acharam?
Fiquem bem! Cuidem-se! Até breve!

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