Respeite o distanciamento social - Respeite a vida

Roseane Mendes



O primeiro texto aqui do blog em que abordei a pandemia do covid 19 (clique aqui) eu finalizei dizendo que este seria o único texto do blog sobre o tema, isso porque devido a ampla cobertura da imprensa julguei necessário criar mais conteúdo de lazer para entreter as pessoas durante a quarentena do que continuar abordando o tema. Mas, acho que naquele momento eu estava em um posicionamento muito otimista. Acreditei que as pessoas, devido as informações recebidas, entenderiam a importância da quarentena. Porém, não foi e não é o que vejo. Acreditei que a vida seria prioridade para todos e que a vida de todos seria prioridade. Que engano! Que decepção!

O que vejo são as pessoas desrespeitando o distanciamento social ou pior, negando a pandemia. Gostaria de informar que essa pessoa que lhes escreve segue as recomendações da OMS. Fico muito preocupada e até enraivecida ao ver que algumas localidades do Brasil já decretou a abertura de shoppings, parque, cinemas, bares e outros lugares onde acontecem aglomeração de pessoas. Hoje, dia 05 de maio de 2020, já são 7.391 mortes confirmadas por Covid no Brasil e 252 mil no mundo. Isso ignorando aquelas que ainda estão sob investigação e a subnotificação. Onde quero chegar com isso? Quero dizer que é simplesmente inadmissível que haja pessoas que pouco se importam com esses números e querem vê-los aumentar. Sim, querem vê-los aumentar! Porque se essas pessoas fazem parte daquele grupo que pode ficar em casa e não o faz, essas pessoas são genocidas.

Essa minha afirmação pode parecer exagerada ou dura demais. Mas, dura de verdade é a nossa realidade. A velocidade do aumento dos casos de corona vírus determina o número de sobreviventes, porque se não haver leito para todos os casos graves; muitos morreram por falta de atendimento. É muito fácil constatar o que estou escrevendo aqui, basta uma pesquisa rasa no Google. 

É preciso entender que não podemos fazer concessões. Não podemos achar que receber uma meia dúzia de amigos não é problema. É problema sim, porque existem pessoas que são assintomáticas. E esses amigos tem outra meia dúzia de amigos que também farão concessões e por aí vai... Não podemos achar que uma caminhadinha ou uma pedaladinha na praça não é problema, porque se todos nós pensarmos assim haverá aglomeração. Os países que conseguiram diminuir a curva de contágio são aqueles que fizeram o chamado lockdown. O que é isso? É um isolamento social radical, um bloqueio total o qual aqueles que saírem as ruas terão que provar a essencialidade disso.

O que vejo é que uma parcela grande da população brasileira mandou um "foda-se a vida". E coloca em risco aquelas pessoas em situação de vulnerabilidade. Me choca e me escandaliza o desprezo que muitos mostram em relação ao outro. "Se eu não faço parte do grupo de risco", "Se eu tenho condições financeira de fazer a testagem que é escassa para a maioria e posso me tratar em hospitais privados que são quase exclusivos... Foda-se a vida". E não. Não me refiro apenas aquelas pessoas que vão parar nos meios de comunicação por serem conhecidas nacionalmente ou por serem influencers. Me refiro também aos anônimos que vejo transitando a todo momento da janela da minha casa, me refiro aos meu vizinhos fazendo churrasco e reunindo a família que não mora com eles, me refiro aquele amigo que abriu uma exceção porque estava "morrendo de ansiedade por ficar em casa", me refiro ao grupo de adolescentes jogando bola na praça... Eu poderia citar muitas outras situações. Sei que você pode estar pensando: "Mas, atividade ao ar livre é incentivada pelos órgãos da saúde". Sim. Mas, se for em um lugar com um número grande pessoas, ou se for para aproveitar e dar aquela passadinha na casa do familiar ou do amigo; então não.

Para finalizar; quanto mais tempo demorarmos para entender a importância do isolamento social, mais tempo irá durar ou talvez teremos que chegar ao decreto do lockdown. Por favor, sejamos responsáveís!!!!!!

Fiquem bem, fiquem em casa e se cuidem.

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