Sofá e pipoca: O retrato de Dorian Gray

Roseane Mendes

Lançamento no Brasil: 25 de maço de 2011 (nos Estados Unidos 2009)
Duração: 1h 52 min
Gênero: Drama, Fantasia
Elenco principal: Colin Firth, Ben Barnes, Rebeca Hall
Disponível na Prime Vídeo


O filme o Retrato de Dorian Gray é uma adaptação da obra de Oscar Wilde. A obra original foi publicada no ano de 1890 e para que a publicação fosse realizada foi feito o corte de mais de 500 palavras. A sociedade da época era muito conservadora e com medo da censura optaram por suprimir alguns termos e substituir outros. Apesar da adaptação a sociedade inglesa não estava preparada para uma obra em que expunha as mentiras e a hipocrisias social. 

Na obra de Oscar Wilde a historia incia com uma conversa entre Lord Henry Wotton e Basil Hallward um talentoso pintor. Ambos estão diante do retrato do jovem Dorian Gray, estão maravilhados pela beleza do jovem. Porém, começam uma discussão sobre como aquela obra seguiria sendo bela enquanto quem a inspirou envelheceria e o tempo o marcaria e levaria sua beleza. Dorian naquele momento deseja que houvesse uma inversão em que ele pudesse seguir jovem e belo e o quadro levasse as marcas do tempo. Basil Hallward sentia-se extremamente orgulhoso de seu trabalho e também ciumento.

Lord Henry era um crítico e cético da sociedade londrina e falava todo o tempo como Dorian deveria aproveitar a sua juventude sem se prender as convenções sociais da época. Dorian que até um certo momento não tinha consciência de sua beleza, a descobre e começa a ouvir e valorizar as coisas ditas por Lord Henry. 

Sob influência de Lord Henry, Dorian começa a explora sua sensualidade e o poder que ela exerce sobre as outras pessoas. Ainda conservando sua crença no amor ele se apaixona pela atriz Sibyl Vane. Mas, depois de seduzi-la e fazer com que ela deixe o teatro por ele; Dorian se dá conta de que perdeu o interesse por ela. Depois de dizer isso a ela, ele volta para casa e percebe que o retrato que antes tinha o mesmo ar ingênuo do seu rosto, naquela momento passou a carregar um sorriso cínico e malicioso.

Já a adaptação começa com a chegada de Dorian a Londres. Uma Londres caótica e corrupta em que ele se destoa em meio a tanta perversão social. A cena inicial é para mostrar o quanto ele era ingênuo e puro. Quando Lord Henry o conhece fica boa parte do tempo convencendo ao rapaz que a bondade é hipocrisia e consegue convencê-lo disso. Basil Hallward parece assistir de longe a degradação daquele que um dia tanto o inspirou. Porém, diferente da obra literária a qual a primeira mudança do retrato é sútil e mostra uma marca da alma de Dorian com um sorriso cínico e sútil. No filme o retrato apresenta as mudança do corpo.


Gostaria de dizer que gostei do filme, já que a obra literária é riquíssima. Porém, mesmo sendo consciente de que as adaptações requerem mudanças no enredo, achei o filme muito ruim. Tudo que falei até aqui não é spoiler é somente a sinopse de ambos. A adaptação perdeu todo o caráter filosófico se prendendo ao gótico e ao horror. Se importando muito mais em insinuar as mudanças do quadro e jogando de forma grotesca a degradação de Gray. O resultado é um filme aborrecido que apenas mostra um cara que tornou um babaca do nada.

No entanto, eu sempre acho que vocês devem assistir e tirar as próprias conclusões. Porém, vá com poucas expectativas.

Cuidem-se, fiquem bem e até breve.

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