O hábito faz o monge

Roseane Mendes

Você certamente já ouviu o ditado popular que diz: "O hábito faz o monge". A verdade é que a roupa é uma linguagem não verbal que pode dizer muito sobre você ou mentir. O ato humano de cobrir-se conta por si só algumas histórias, seja a história religiosa de cobrir-se por vergonha da nudez ou a história contada pela antropologia que é cobrir-se para adornar-se e proteger-se. 

A roupa historicamente é usada como um diferenciador social e a moda uma forma de estratificação. Desde muito tempo existiram as chamadas moda de luxo, seja pela escassez de recursos para a produção ou o uso de mão de obra única e qualificada.  A moda é mais do que roupas, ela é todo um comportamento de uma época que é expresso no vestuário; mas também na música, na linguagem e toda a vivência de um grupo. Embora a moda ambicione ser única, ela é uma atitude coletiva. Por mais que busque ser individualizada, o resultado final é a massificação. Por essas razões a moda é perecível porque nasce como o objetivo de individualizar, porém se massifica e acaba por se tornar desinteressante e ressurge com novas tentativas.

A moda por sua vez é falha porque nasce para caracterizar, mas acaba nos descaracterizando quando simplesmente seguimos tendências e passamos a fazer parte de um fluxo de consumo para pertencer a um grupo hegemônico. Portanto, o que deveria nos tornar únicos nos torna um a mais. 

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