segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pronto falei! Amor à vida?

Roseane Mendes

Oi, meninas! Eu havia programado para esta segunda-feira uma resenha da base Studio Fix, mas vou deixar para depois. Há algum tempo que estou engasgada com os esteriótipos construídos pelas novelas da Globo, mas acho que essa novela chamada Amor à vida (Amor? a quê?) tem passado do limite do tolerável.  Quero falar sobre o personagem da Fabiana Carla, a Perséfone. 


Perséfone no início cumpria o esteriótipo da gordinha com dificuldades para arrumar namorado. Affff! Até quando vamos alimentar esta droga. Desesperada para perder a virgindade se metia nas mais variadas roubadas e protagonizava as mais humilhantes situações. Meninas, até quando vamos ser coniventes com estas amarras que nos são postas todos os dias? Primeira amarra: Virgindade. Durante anos lutamos pela nossa liberdade sexual. Primeiro, nosso caráter era medido pela presença de um hímen. Hímen presente, sinal de bom caráter. Lutamos muito para romper com isso. E agora o nosso sucesso pessoal é medido pela ausência desse maldito hímen? 

Não deveríamos ser livres sexualmente? Isso significa ser única e exclusivamente uma escolha pessoal de quando e como vamos iniciar a nossa vida sexual. Deixamos de ser vítimas da ausência de um simples hímen, para sermos vítimas da presença. Até quando a sociedade vai nos ditar algo que deveria ser inteiramente pessoal? Vemos em Amor à vida a pobre da Perséfone sendo motivo de piada dos seus ditos "amigos", e parece que é natural que é assim mesmo. Não é, ou pelo menos não deveria ser.



Mas o fim da picada mesmo é a série de humilhações vivida pelo personagem devido ao fato de ser gordinha. Enfim, o personagem conquista um homem lindo e desejado que namorava mulheres padrão "capa de revista". E todo o momento fica implícito que ele é uma homem generoso e fora do comum. Sabe por que? Porque ele escolheu namorar uma gordinha. Quanta generosidade, não?! Vejam que homem bom, ele escolheu uma gordinha virgem! Que coisa! 

Ah!!! Mas, legal mesmo são os "amigos" da Perséfone. Como eles a valorizam e a estimulam (só que não)! Nem vem o autor dizer que tudo isso é posto na novela como crítica, porque não é não. Em nenhum momento vemos esta crítica. Em uma nação onde o povo carece de educação (falo do sentido escolástico) e que é estimulado a não pensar, personagens assim causam danos e estimulam preconceitos. O ridículo pode ser engraçado sim, sei que muitos dão risadas com as situações vividas pela personagem. Essa estratégia já foi usada pelo teatro do absurdo. Mas, sabemos que as novelas globais diferentemente do teatro do absurdo não levam ninguém a pensar. Muito pelo contrário, mostra essas situações como se fossem verdades corriqueiras e inquestionáveis. Pior, mostra como se fosse uma exemplos a ser seguido. Amor à vida? É essa a concepção de amor? 

4 comentários:

  1. Cheia de preconceitos, estereótipos ridículos, o autor tentou erroneamente abordar alguns temas polêmicos. Existem sim preconceito com gordo, eu sou gorda e sei disso. Mas, a imagem da gorda que não arranja namorado ter encontrado um "príncipe" para casar tá ridículo e foge da realidade. Bom post.
    Beijo!

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    1. Oi, Elaine! O preconceito existe mesmo e não precisa ser reforçado. Mas, as novelas tem o poder de diminuir isso porque elas atingem boa parte da população brasileira. Porque não uma mostrar uma gordinha bem resolvida?
      Beijos e obrigada pelo comentário.

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  2. Bom eu não assisto a novela, mas gostei do seu post, falou tudoPassa no meu blog pra conhecer tb, se gostar e seguir, sigo de volta!!!
    www.makeolatras.blogspot.com.br
    Bjsss =]

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    1. Oi, Bia! Obrigada pela visita, muito em breve retribuirei.
      Beijos

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